SEMINÁRIOS 2020

Estudos da Música e do Som

coordenação

profa. dra. virginia bessa 

prof. dr. cacá machado

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CRIAR UM MUNDO DO NADA 

A invenção de uma historiografia

da música popular no Brasil

JOSÉ GERALDO VINCI DE MORAES | FFLCH/USP 

31 de agosto | 15h às 17h

Em meados do século XX um grupo composto de jornalistas, colecionadores e críticos da música popular construiu, de maneira muito intuitiva, um complexo circuito intelectual com fortes tonalidades historiográficas. Pretende-se discutir criticamente como as experiências desses personagens foram determinantes para formar um território próprio e inventar uma historiografia para a música popular.

José Geraldo Vinci de Moraes é professor Livre-Docente no departamento de História 

da FFLCH-USP.

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O PÚBLICO DA MÚSICA GRAVADA EM

SÃO PAULO DO INÍCIO DO SÉCULO XX

Práticas alternativas de escuta

JULIANA PÉREZ GONZÁLEZ FFLCH/USP 

28 de setembro | 15h às 17h

Desde o final do século XIX existiu em São Paulo uma surpreendente e crescente lista de lojas comerciando com fonógrafos, gramofones, cilindros e discos, que atingiria números elevados no final dos anos 20. O aumento desse comércio relacionava-se com a expansão do mercado de música gravada no mundo e com o processo de crescimento da própria cidade. A efervescente e complexa São Paulo, contudo, proporcionou também a seus habitantes maneiras alternativas de escuta sem ter que comprar diretamente nas elegantes lojas fonográficas. Esta apresentação indaga por tais vias. Tudo indica que existiram mecanismos mais baratos de aceder à música gravada, como o aluguel, o empréstimo e a escuta coletiva. Interessa desvelar quem mais, além das elites econômicas, podia investir em produtos fonográficos ou quem escutava eventualmente música gravada sem ter que pagar por isso. Tal aproximação pretende pensar a escuta fonográfica na cidade, sobretudo, entre as camadas populares no período prévio à popularização da rádio. 

 

Juliana Pérez González: Historiadora colombiana. Autora dos livros Las historias de la música en Hispanoamérica (2010) e Da música folclórica à música mecânica. Mário de Andrade e o conceito de música popular (2015). Doutora em História Social pela USP.

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KALEIDOSFONE

Interpretando os sons de São Paulo

NELSON APROBATO FILHO FFLCH/USP 

26 de outubro | 15h às 17h

Interpretar historicamente os sons de uma cidade pode se aproximar muito da experiência de interpretar artisticamente os sons de uma composição musical. A cidade de São Paulo das últimas décadas do século XIX e primeiras do XX oferece ao historiador dos sons – e também aos interessados no intrincado universo dos ritmos, ruídos, harmonias e dissonâncias urbanas – potencialidades singulares de análise e compreensão. Nesse período, a capital paulista passou por grandes transformações socioculturais, político-econômicas e científico-tecnológicas que provocaram impactos profundos e inéditos nos sons da cidade. De forma paulatina foram surgindo inúmeras e sobrepostas camadas difusas de sons. Nessa apresentação procuraremos “escutar” fragmentos de como essas camadas foram construídas, quais os sons coloniais e modernos que as compunham, de que forma elas foram incorporadas ao cotidiano urbano e como eram percebidas pelos moradores da cidade.


Nelson Aprobato Filho é doutor e mestre em História pela USP com pós-doutorado pela mesma instituição. Visiting Scholar no Massachusetts Institute of Technology (2013-2014). Autor de Kaleidosfone. As novas camadas sonoras da cidade de São Paulo, fins do século XIX/início do XX (Edusp-Fapesp, 2008)

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PODEMOS ESCUTAR CLARA WEISS?

O lugar dos arquivos sonoros

no estudo do teatro musicado

VIRGÍNA BESSA IEB/USP 

30 de novembro | 14h às 16h

Uma das cantoras de operetas mais atuantes no Brasil das primeiras décadas do século XX, a italiana Clara Weiss (1891-1966) não nos deixou qualquer registro sonoro de sua voz, tampouco de sua atuação nos palcos. Os raros indícios que nos chegaram de seu desempenho artístico são as crônicas teatrais da época, que ao ressaltar a “voz fresca e harmoniosa” da cantora, ou o “brio e alma” de suas interpretações, não nos fornecem senão impressões subjetivas. Por outro lado, a ideia de que gravações de época nos permitiriam escutar sua performance é sedutora, mas ardilosa. Em que medida o historiador que lida com a música e os sons do passado, em especial aqueles produzidos no teatro, pode se valer dos arquivos sonoros em seus estudos? E como as dificuldades impostas pela ausência desse tipo de fonte podem ser superadas? Em última instância, o que está em jogo é a escuta como objeto e instrumento da investigação histórica. 

Virgínia de Almeida Bessa é pós-doutoranda e professora colaboradora do Instituto de Estudos Brasileiros da USP. Doutora em História Social, investiga as relações entre Música e História.

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OUVIDOS E DEDOS VIAJANTES 

Giros acústicos do pianista Louis Gottschalk

entre Nova Orleans, Havana e Rio de Janeiro

CACÁ MACHADO IA/UNICAMP 

21 de dezembro | 15h às 17h

A trajetória singular do compositor, pianista virtuose e viajante Louis Moreau Gottschalk (1829-1869) pelos principais portos da diáspora africana oitocentista nas Américas (Nova Orleans, Havana e Rio de Janeiro), narrada em seu diário Notes of a pianista (1881), é o eixo principal desta investigação cujo objetivo é a caracterização e a interpretação das diferentes construções acústicas em torno de oralidades, racionalidades, sons e músicas no contexto do espaço do Atlântico Sul.

Cacá Machado é professor Doutor no Departamento de Música do Instituto de Artes da Unicamp. Autor de O enigma do homem célebre (IMS, 2007), Tom Jobim (Publifolha, 2008), Todo Nazareth - obras completas (Água-forte, 2011), entre outros.